INFERNO ASTRAL
A noite chegou e é possível ver com mais clareza o que as pessoas do prédio 43 estão fazendo em seus apartamentos, assim como eles podem observar o que estou fazendo neste exato momento. A grande avenida fica bonita com as luzes acessas dos postes, a chuva que não pára e vários pontos de luz espalhados, vindo dos prédios ao seu redor. No sétimo andar, a cortina meio avermelhada, de tecido fino está levemente aberta. Há uma mulher tirando a roupa lentamente. Tenho a impressão de estar fazendo de próposito para mim ou alguém do lado de cá, pois ela olha para trás averiguando se o público continua assistindo esse espetáculo. Enquanto isso, alguém está deitado a sua frente. Ela sumiu! A festa começou... No quinto andar, tem alguém ansioso porque uma penumbra corre de um lado pro outro sem cessar. Certamente as pessoas por quem ele esperava ainda não apareceram. A luz foi desligada. Em dois minuots, ele estava na calçada com a cara que aparentava que o coração sairia pela oca a qualquer momento. E assim, sai pela rua, sem guarda-chuva, até sumir da minha vista.
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